|
|
28.6.04
|
Decifra-te ou me devoro.
Este texto brotou às 21:46
|
Eu soube que era uma mentira tudo que fomos. Que você e sua pseudo-intelectualidade eram todas imbuídas no nobre propósito de me comer. Só pode. Só pode.
Este texto brotou às 21:46
|
|
23.6.04
|
- Madureira, ela está bem. Estamos cuidando dela.
- Quem é que está falando?
- É S.
- Ah, quem mais está com você?
- Raquel. Eu e Raquel estamos cuidando dela.
E naquele momento até parecia que erámos um casal legal e normal cuidando da amiga bêbada.
Eu tive que ter cuidado.
Este texto brotou às 17:39
|
Ontem fizemos amor. Sim, meu bem.
Eu não trepei com você.
Eu fiz amor com você.
Eu me entreguei.
Acordei e fugi. Saí correndo. Você devia estar na cozinha, bebendo água ou sei lá onde.
Foi bom para você? Eu me entreguei, sabe?
E todo meu corpo dói como se a verdade dessa entrega tivesse me dado chicotadas.
Ontem nós acabamos o que?
Acabamos.
Eu acabei.
E te chamei de tantas coisas feias, tantos nomes me escaparam bêbados. Agressivos.
Eu chorei, sabe? Hoje à tarde eu chorei tomando banho de mar.
E isso não é licença poética.
Na hora eu pensei :Existem dores maiores que a minha. Mas eu não me importo. Nas dores alheias eu flutuo.
Fodam-se todas essas dores alheias.
Dói em mim. Em mim. E essa porra de dor é física, entende?
Estou é me afogando na minha dor.
Porque ontem eu desisti, sabe?
E eu não desisto fácil.
Eu me apaixono fácil. Todas as minhas amigas dizem.
Mas ontem e hoje você é o homem das minhas vidas todas.
Mas ontem eu tive que desistir.
Chegamos a um ponto em que a volta é só pedras e buracos. E eu indo embora, olhando para trás. Torcendo para que você vá diminuindo, diminuindo até sumir da vista do meu coração.
Mas ontem e hoje meu coração só teve olhos para você.
O amor é cego?
Este texto brotou às 15:52
|
|
22.6.04
|
Pintei o quarto de lilás. Acordei estranhando. Achei mórbido, acho.
Agora lá vai eu redefinir a nova paleta de cores da minha vida.
Talvez um pink.
Este texto brotou às 12:56
|
|
20.6.04
|
Eu tive um medo. Mas era um medo absurdo.
Me lembrei do medo que me fazia dormir de luzes acesas, quando criança.
Olhei para os livros ao meu lado na cama.
Não peguei nenhum.
Porque certos medos nem historinhas antes de dormir fazem passar.
Sabe, o escuro era dentro de mim.
Este texto brotou às 23:18
|
|
18.6.04
|
Ao abrir o e-mail levei um susto. Sara tinha me falado dela, desta poesia,recitada por Lirinha num show de Cordel do Fogo Encantado. Ela é simplesmente perfeita. Arrupeia a alma, dá frio na barriga, fogo entre as...
Sara, para você aí vai ela.
Amiga, obrigada pelo lindo presente.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha
genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de
visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas
camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O
amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus
cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas,
minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas
ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais,
meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de
poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em
verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se
juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso:
pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus
utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que
parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a
água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de
propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que,
ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde
irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta,
cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O
amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que
riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de
gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre
passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de
automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água
morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues
crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados
pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro
de maresia. Comeu até essas coisas de que eu
desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas
folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu
relógio, os anos que as linhas de minha mão
asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro
grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da
terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha
noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça, meu medo da morte.
As falas do personagem Joaquim foram extraídas da
poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João
Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova
Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.
Este texto brotou às 15:29
|
O amor às vezes fede.
Este texto brotou às 15:17
|
Quem disse que amor tem cheiro de rosas? Amor tem cheiro de... de... de que mesmo?
Este texto brotou às 15:17
|
Eu queria tanto que aquela noite não tivesse acontecido. Que eu nunca tivesse te conhecido. Que você não fosse tão louco a ponto de saber minhas fantasias só pelo jeito que eu mordo a mão na hora que a dor e o prazer chegam quase sem avisar.
Eu queria que tudo não passase de um sonho e que o cheiro que a companheira de apartamento falou que impregnou meu quarto fosse menos movimento Naturalista.
Eu queria que a noite durasse mais, que o dia durasse mais, que tudo durasse mais quando estamos juntos. Queria suspender meu desejo numa forca e matá-lo, sufocá-lo até que dele nada mais restasse.
Eu queria saber das coisas e poder falar com propriedade deste sentimento que eu teimo em qualificar, dissecar, expor tripas, nervos, carne, sangue.
Eu queria não precisar mentir para você nunca mais.
Eu não queria mais vê-lo.
Eu queria vê-lo agora.
Este texto brotou às 15:13
|
Preto é branco e Branco e preto. Preto e branco são gatos.
Ontem Preto e Branco dormiam. Preto no Branco.
Na almofada bege.
Este texto brotou às 15:10
|
Se vocês passarem o mouse encima da frase abaixo serão abduzidos para um mundo Natyano. Era essa a intenção, fazer uma homenagem à mulher que eu acho que melhor escreve, nesse universo de blogs mil, mas diferente do blog anterior, este template só modifica as cores das frases com redirecionamento quando você passa o mouse sobre as palavras.
Este texto brotou às 15:08
|
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Fernando Pessoa
Este texto brotou às 14:57
|
Daqui a uma semana, quando eu novamente me decidir à afastá-lo de mim, você vai voltar.
Então vamos sentar no tapete distantes um do outro.
Vamos combinar almoços que nunca serão experimentados e filmes que nunca serão assistidos e festas que nunca serão dançadas.
Depois vamos deitar no tapete abraçados.
Então vamos nos alegrar com nossas histórias.
Vamos nos entristecer com nossas histórias.
Então você vai mexer nos meus livros. Vai tocar no meu som "Pedaço de mim". Vai ficar olhando meus quadros. Vai andar pela minha casa e me encarar com ares de proprietário.
Então você vai deitar na minha cama e me puxar os cabelos.
Vamos achar que somos injustiçados pelo mundo até eu me lembrar que a escolha é sua.
É só isso então?
Este texto brotou às 14:31
|
|
Jardim Pessoal
"Seus pensamentos eram, depois de erguidos, estátuas no jardim e ela passeava pelo jardim olhando e seguindo o seu caminho."
(Clarice Linspector)
E-mail
Visitaram este Jardim desde 20/06/2004:
Jardins Alheios: Absorta
Sorvete de casquinho
Blog da Baratinha
Meus Pecados Federais
Sorriso Lexotan
SunFlower
Joka Silvestre
Casulo Inverso
Senso Incomum
Eu, eu mesma e o Mundo
Karla Dani
Casa no Campo da Cabral
A turma lá da rua
Agora já foi...
Para ajudar a adubar:
Revista Paradoxo
Minilombras
Jornal de Poesia
Estações Passadas:


Contador de visitas gratuito - WebPost Contador!
|